Week 3

Interview with Dr. Inês Carvalho

Um Novo Caminho para o Cuidado Integrado

Como estamos em território desconhecido com este desafio, a entrevista com a Dra. Inês Carvalho, médica de Medicina Geral e Familiar tornou-se muito reveladora e determinante. As suas palavras mostraram-nos a urgência real e a importância daquilo que estamos a construir.

A barreira da deslocação

A nossa primeira etapa foi perceber o panorama atual. Rapidamente identificámos um obstáculo claro e muito frisado pela médica: os enormes problemas que os idosos enfrentam para se deslocarem às consultas. A Dra. Inês explicou-nos que os idosos mais dependentes pura e simplesmente não vão ao centro de saúde se não tiverem quem os leve. E mesmo os mais independentes faltam com muita frequência devido a obstáculos que parecem simples, mas que para eles são intransponíveis: porque chove, porque está muito frio, ou porque os transportes e os táxis são demasiado caros para as suas possibilidades. O resultado disto é grave: ao faltarem às consultas, criam-se lacunas enormes no acompanhamento de doenças crónicas, como a diabetes, a hipertensão ou a insuficiência cardíaca.

A ilusão das teleconsultas atuais

Se a deslocação presencial é um problema tão grande, a telemedicina devia ser a salvação. No entanto, a médica expôs a grande falha do sistema atual: um dos maiores problemas das teleconsultas é serem feitas apenas por chamada telefónica. Atualmente, o médico pergunta “Como está?”, o utente responde “Sinto-me bem”, e a consulta acaba ali. O profissional de saúde fica completamente “às cegas”. Se o paciente se queixar de uma palpitação, o médico não consegue fazer um diagnóstico na hora; tem de pedir exames e adiar a solução. Faltava a peça central: dados clínicos fidedignos, transmitidos em tempo real.

O que realmente importa para um bom diagnóstico?

Colocámos uma questão fundamental: o que é que os médicos realmente precisam de ver à distância para fazer o seu trabalho com segurança? A Dra. Inês destacou exatamente o que falta nas consultas à distância para despistar complicações graves (como pneumonias ou descompensações cardíacas):

  • Frequência cardíaca e respiratória;
  • Sons cardíacos e pulmonares (a auscultação à distância é absolutamente vital para o diagnóstico);
  • Saturação de oxigénio e temperatura corporal;
  • Idealmente, um eletrocardiograma (ECG), dadas as alterações comuns no coração em idades avançadas.

A solução é uma tecnologia de proximidade e fácil de usar

A resposta técnica surgiu naturalmente com o nosso módulo de sensores. Mas havia um desafio crítico: a implementação e a facilidade de uso. Num público idoso que tem limitações de mobilidade, a proximidade é decisiva. A ideia de colocar a nossa solução em Juntas de Freguesia, centros de dia ou até em cafés locais (onde, como a médica contou, alguns idosos já vão pedir ajuda para tomar insulina) foi totalmente validada. Se o equipamento estiver ao virar da esquina e a interface for muito simples, a adesão será natural.

O que virá a seguir?

Entramos agora numa fase onde temos de pensar exatamente em como implementar o projeto na prática, tendo em conta as possíveis limitações dos futuros utilizadores. Queremos demonstrar valor clínico entregando aos médicos a frequência cardíaca e a auscultação que tanto lhes faltam. A entrevista deixou-nos excelentes ideias para iterar no futuro, sem dúvida mostrou-se uma fonte de informação indispensável e a confirmação de que estamos no caminho certo.