Do Conceito à Prática: A Definição do ElectroCap
Na semana passada, percebemos que a chave não era recolher todos os dados possíveis, mas sim focar no que é clinicamente relevante, de forma simples e fiável. Agora, o desafio foi transformar essa visão numa estrutura palpável. A limitação das teleconsultas atuais é evidente: continuam frequentemente limitadas à comunicação áudio e vídeo, não permitindo ao médico aceder a sinais biomédicos em tempo real. Para colmatar esta falha, avançámos com a definição do Inside Health, um protótipo de telemonitorização biomédica que integra a aquisição sensorial, processamento local, comunicação remota e visualização clínica.
O Que Vamos Medir?
Para que a teleconsulta deixe de depender apenas da observação visual, definimos que a primeira versão do protótipo terá de adquirir três parâmetros essenciais: frequência cardíaca, frequência respiratória e sons cardiorrespiratórios. Mas a tecnologia não pode ser um estorvo… Estabelecemos requisitos não funcionais rigorosos para garantir que o dispositivo é adequado para idosos: tem de ser leve (com menos de 300g), confortável para uso prolongado, possuir uma autonomia de pelo menos 4 horas e transmitir os dados com uma latência inferior a 1 segundo.
A Arquitetura do Sistema: O Fluxo Invisível
Como garantimos que a tecnologia funciona em segundo plano sem frustrar quem a usa? Através de uma arquitetura modular bem estruturada.
Desenhámos o sistema em blocos essenciais:
- Camada de aquisição: Os sensores no dispositivo wearable (como o ADS1292R para eletrocardiograma e bioimpedância, e microfones MEMS para auscultação).
- Processamento local: Um microcontrolador que digitaliza, sincroniza e limpa o ruído dos sinais localmente.
- Comunicação e Cloud: O envio rápido e seguro dos dados sem fios para uma infraestrutura remota.
- Interface Clínica: Onde a magia acontece para o médico, que recebe informação estruturada e em tempo quase real durante a consulta.
O Nosso Maior Desafio
O verdadeiro desafio de engenharia não é apenas ligar estes componentes. É conseguir a integração fiável de todo este fluxo num contexto doméstico. Os sinais fisiológicos são fracos e suscetíveis a ruído. Garantir a qualidade do sinal, sincronizar múltiplos sensores, manter a segurança dos dados e, acima de tudo, garantir a simplicidade de uso por pessoas com baixa literacia tecnológica é o que torna este projeto inovador.
O Que Virá a Seguir?
Temos o “quê” (Requisitos) e o “como” (Arquitetura) bem definidos. O caminho agora é passar da especificação em papel para a integração dos subsistemas de hardware e software, dando os primeiros passos na construção física deste protótipo e testando as nossas escolhas na prática.